Uma conversa com o padre Júlio Lancellotti para guardar e levar a 2021

  • 27/12/2020


O padre Júlio Lancelotti em sua paróquia, na Igreja de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca Werther Santana/Estadão Conteúdo/Arquivo Sinto muito, Papa Francisco. Mas por aqui o vírus do individualismo – que o senhor pediu, na benção de Natal nesta semana, que o mundo combata - se espalha em contágios de deboche pelas festas de fim de ano. Sim, se festeja no Pagode da Covid, na rave Epidemia Trance... São os nomes de algumas baladas nos últimos dias que tiraram sarro da morte de mais de 190 mil brasileiros pela Covid-19. Só posso imaginar corações vazios e solitários, deixando o desespero se embalar ao som efêmero da insensibilidade. Que a gente tenha a chance de novos despertares neste próximo novo ano. Atravessaremos pra 2021 como o segundo país com o maior número de mortes pela doença e um dos mais atrasados no planejamento de uma campanha nacional de imunização. O que poderia ser o maior presente de Natal não veio com o Papai Noel. Ele que, aprendi neste ano, sobrevive em cada um ainda capaz de fazer o bem. Neste ano tivemos a chance de sermos mais solidários - e muitos de nós fomos. Dinheiro e outros tipos de privilégio perderam o antigo sentido porque entendemos e sentimos que está nas pessoas a importância da vida, afinal. Por isso, nesta minha última coluna do ano, trago uma conversa que vale levarmos para 2021. “Solidariedade também gera conflito, porque, em uma sociedade muito desigual, quem luta pela igualdade gera ameaça, causa incômodo, é ameaçado. Nós fabricamos a miséria e queremos escondê-la. A presença do povo empobrecido causa mal-estar em muitas pessoas. Acredito que isso faz parte do caminho, lido com serenidade e com o apoio dos voluntários, dos assistidos”. Padre Julio Lancelotti fala sobre pandemia e empatia E assim, o religioso brasileiro que melhor personifica a palavra fraternidade, respondeu sobre as ameaças de morte que continuou recebendo em 2020. No dia de Natal, recebemos o Padre Júlio Lancellotti para uma entrevista ao vivo na GloboNews. Uma conversa para levar consigo até 2021. Coordenador da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo e referência nacional na defesa dos direitos humanos, ele leva o pão a quem tem fome. Fome de atenção, respeito. Assiste a população em situação de rua há décadas, nos ensina sobre amor há décadas mas nesta Pandemia foi além. Padre Júlio é conforto emocional para nossos anseios humanos. E também desconforto para nossa moral por vezes hipócrita e preguiçosa em um momento de tanto sofrimento concentrado. Em um ano em que a ausência do Estado precisou ser ainda preenchida pelas sociedades, pelos voluntários. Para onde você olhou durante este ano, pra além das fronteiras dos seus medos e dores? A resposta pode ser o caminho para preencher muitos vazios existenciais que nos levam para pistas de dança insensatas. “Que nós superemos e tenhamos isso como compromisso, ninguém vai sobreviver sozinho, não adianta. Precisamos olhar para a África, para os quilombolas, para comunidade LGBTQI+, olhar para comunidade indígena, para as nações, para todos os grupos. Cada um de nós tem que fazer um esforço, e lembrar: 'Eu não estou sozinho no mundo'. Nós somos todos irmãos e temos agir como irmãos, um irmão não oprime outro irmão. Um irmão é solidário ao outro irmão”, nos disse. Você acredita que estejamos mais fraternais depois desse 2020? Padre Júlio acredita que sim, eu também. Mas ele lembra que é preciso mais: “Acredito que há um aumento dos gestos de solidariedade, mas isso não está na estrutura. A dificuldade que devemos enfrentar a partir do próximo ano, com a ausência de benefícios sociais, é que vai aumentar o desemprego. É preciso que a solidariedade vá além de um gesto pessoal, individual, institucional, ela seja um gesto da economia, da política, abrindo espaço para que todos tenham dignidade e possam viver com dignidade.” Que a dignidade não seja exclusividade em 2021. Que a gente atravesse 2021 com esperança, sem desistir, sem desanimar. E sempre atentos aos outros, nosso reencontro com nossa humanidade está aí. O que nos mata, neste momento, é o vírus do individualismo. Feliz Ano Novo! (A coluna volta na segunda semana de janeiro)

FONTE: https://g1.globo.com/olha-que-legal/blog/pela-lente-da-gente/post/2020/12/27/uma-conversa-com-o-padre-julio-lancellotti-para-guardar-e-levar-a-2021.ghtml

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