Leve o incômodo com a desigualdade para votar

  • 14/11/2020


Desigualdade social, uma das marcas brasileiras Antonio Scorza/Arquivo AFP Os impactos mais imediatos e visíveis que você quer sentir na sua cidade dependem das escolhas neste domingo. Deveria ser competência prioritária para prefeitos e vereadores a função de tornar as cidades minimamente dignas pra todos. E, no caso do combate à pobreza, são eles, em teoria que funcionam como ponte pra entender as razões do aumento da desigualdade no Brasil. São os políticos mais próximos das comunidades, da cultura local. Que enxergam de perto os problemas que vem de muito tempo. A crise econômica gerada pela Pandemia fez o governo federal se dar conta de mais de 45 milhões de brasileiros. São pessoas que seriam elegíveis para receber a ajuda, mas não possuíam conta em banco e CPF ativo para ter a quantia depositada. Brasileiros vivendo à margem do sistema, sem banco, sem acesso regular à internet, nem CPF ativo. Gente como eu e você, mas sem o reconhecimento de sua existência e dificuldades. Leve o incômodo sobre a desigualdade pra votar com você. Os abismos sociais se ampliam, como bem mostrou o IBGE nesta semana, com base em dados do Banco Mundial. Somos o nono país mais desigual do mundo. As distâncias se ampliaram, a concentração do dinheiro também e, com isso, as oportunidades de mudança. Antes de pegar sua máscara e seu título de eleitor, pesquise um pouco mais sobre as propostas do seu candidato, veja o que ele entende por política educacional, se há planos e metas no programa de governo apresentado para levar respeito aos marginalizados. Queremos poder andar tranquilos pela rua, sem medo da violência urbana? A pacificidade só vem com a inclusão, com o desconforto de ver a fome de perto ao sentir seu estômago cheio ao mesmo tempo. “Nesse período de crise, diante da mobilização que fizemos pela Cufa [Central Única das Favelas] em uma ação de arrecadação e distribuição de ajuda para mais de 5 mil favelas em todo o Brasil, ficou muito mais evidente que além do estímulo à solidariedade, outra lição que fica para a sociedade é a necessidade de um olhar contínuo para este tema e não apenas emergencial", me disse Celso Athayde, fundador da Cufa. "Neste momento eleitoral, onde a democracia nos permite dar o nosso voto de confiança aos nossos próximos representantes, é fundamental que a pauta da pobreza e da desigualdade social seja prioritária nas plataformas dos candidatos. As propostas sobre saneamento básico, diminuição de déficit habitacional e educação têm que ser levadas a sério e colocadas em prática, por que disso depende a vida de milhões de pessoas. São direitos básicos dos seres humanos, independentemente de onde morem.” Celso diz que quem acompanha de perto a situação das comunidades no Brasil não se surpreende com novas pesquisas mostrando o avanço da concentração de renda. De fato, é uma realidade mais do que gritante, basta querer ver. Se incomodar e não cair nas armadilhas da polarização, onde a pauta social ganha lado e direção. Segundo o IBGE, em 2019, os 20% mais ricos recebiam 20,2 vezes além do quinto mais pobre. Essa diferença era menor em 2015. De acordo com o instituto, dois em cada dez brasileiros concentram 58,5% dos rendimentos no país. No mesmo 2015, era de 57,1%. Neste cálculo, cada ponto percentual conta e pensar sobre ele pode ajudar a forjar uma nova gênese moral no Brasil, imune às anestesias que o cotidiano segregado oferece. Vamos nos escandalizar com a desigualdade crescente e levar esse incômodo pra votar. E cobrar.

FONTE: https://g1.globo.com/olha-que-legal/blog/pela-lente-da-gente/post/2020/11/14/leve-o-incomodo-com-a-desigualdade-para-votar.ghtml

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