Legal conhecer mais o Wisconsin, mas precisamos saber o que é o Amapá

  • 07/11/2020


Reprodução Com a pouca energia que ainda tinham nas baterias dos celulares, os moradores tentavam denunciar, pelas redes sociais, o nível apocalíptico do apagão em um estado pouco lembrado e conhecido pela maioria de nós. Nós? Sim, nós que estamos no “centro” do país, como identificou o senador eleito pelo Amapá David Alcolumbre, ao justificar a dificuldade em reparar o incêndio numa subestação da capital Macapá. Lembrou que o acesso a algumas regiões só é possível de avião ou barco. A previsão é de reestabelecimento da energia em até 10 dias. Já haviam passado quatro na data em que essa coluna foi escrita. Mas a nossa contagem principal do momento é pelos votos da apuração nos EUA e, de fato, é extremamente importante. E como é legal conhecer mais sobre o estratégico Wisconsin, quem são os eleitores, o que traduzem sobre a maior potência mundial, cuja eleição presidencial tem ecos planetários. Mas também precisamos saber o que é o Amapá. Saber de verdade, se interessar por isso, levar luz a nossa brasilidade. Comecei pela Wikipédia. A origem do nome é indígena, mas com diferentes indicações de língua. Com uma população majoritariamente local, quem nasce ali não costuma sair. O rio Amazonas também é conhecido como o “mar de Macapá”, corta a capital e tem sido a fonte da água que começa a faltar nos mercados, onde as filas são cada vez maiores. O aeroporto virou ponto de carregamento de baterias, as farmácias com caixas eletrônicos são as mais disputadas agora. E ainda há novos picos de contágio e internação em meio à pandemia. “É a gravidade do atraso e o descompasso entre estados brasileiros que explicita o peso da demografia e a força das minorias. Serão as eleições municipais de novembro que batem à porta dos brasileiros, sorrateiramente, que decidirão os votos à Presidência da República e os rumos dessa nação”, me disse a cientista política Fernanda Barros. A professora de políticas pública relembrou grandes nomes da literatura nacional como Euclides da Cunha, Gonçalves Dias e Lima Barreto para explicitar nossa já longa jornada de autoconhecimento destes “Brasil” em seus “Brasis tão distintos”. Esse último destacava a ausência de brio identitário no país. Os norte-americanos podem estar mais divididos do que nunca, ideologicamente, naquele país em que atrasos civilizatórios também prolongam injustiças históricas no preconceito que mata. Mas naquele território vasto e heterogêneo existe uma ideia de nação. Um pacto que os mantém como a maior antena geopolítica, a mais pesada âncora democrática. Eles se conhecem. A gente, não. E perdemos tempo demais tentando ser parecidos com eles. Fernanda acredita que esse momento de urgência trazido pela pandemia, um engajamento político maior e vozes que não se restringem ao eixo Rio-SP trazem uma boa oportunidade para olharmos as peculiaridades na nação brasileira, a força da sua formação. Acrescento a eleição norte-americana de 2020 nesta lista. O mergulho que fizemos naquele mapa de complexidades humanas e políticas, podemos praticar por aqui. Devemos. As redes sociais são um conveniente trampolim pra essas descobertas. No caso do Amapá, uma rápida busca pelas hashtags #SOSAmapa e #ApagaonoAmapa são um bom ponto de partida. Nossa literatura também ajuda nessas descobertas. “Euclides da Cunha elucidou e identificou nossa diversidade e desigualdade. É a figura do sertanejo em sua experiência quanto à seca e a miséria em “Os sertões” (1902) que descortinará a escassez que se faz no campo e atravessa as cidades. Em contraste contínuo à opulência das capitais Rio de Janeiro, São Paulo, Minas e cidades do Sul, cujos ciclos econômicos e centralização política ludibriaram a audiência com seus ares de modernidade, progresso e poder. Os antagonismos e paradoxos, velho x novo, riqueza x miséria, rural x urbano desnudaram a imagem do brasileiro”, exemplificou Fernanda. Essa professora me levou de volta pra escola, onde na lousa estava um Brasil que não pode e não deve se apequenar diante de sua heterogeneidade pois ali está a maior força. Na resiliência dos nossos indígenas, afrodescendentes, nordestinos, favelados, ribeirinhos, quilombolas, domésticas... “O que está fora da geopolítica internacional, mas que, a partir de sua prática contínua de resistência, está dentro e dentro propõe a ruptura hegemônica dos ditames ideológicos”, encerrou assim a aula.

FONTE: https://g1.globo.com/olha-que-legal/blog/pela-lente-da-gente/post/2020/11/07/legal-conhecer-mais-o-wisconsin-mas-precisamos-saber-o-que-e-o-amapa.ghtml

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